Suicídio – parte 1 de 3


Suicídio

Quem de nós, num dia daqueles em que tudo dá errado, já não pensou em sumir, desaparecer? Mas daí a, de fato, cometer um ato de auto agressão vai uma grande distância.

Isso quer dizer que precisamos entender com muita clareza em que grau o indivíduo está realmente disposto a dar cabo de si mesmo, quando verbaliza que está cansado da vida.

Pode representar apenas um desgosto passageiro ou uma ideação real de se matar.

De qualquer forma, o importante é saber que “cachorro que late, pode morder”.

É comum a gente ouvir as pessoas dizerem que pessoas que anunciam seu desejo de morrer nunca o fazem, que se quisessem, não anunciariam. Grande engano.

As pessoas quando pensam em suicídio, normalmente, estão ambivalentes em relação a possibilidade de praticar um gesto suicida. Graças a esta ambivalência, muitas vezes falam em suicídio tentando receber algum auxílio externo para que não venham a se suicidar. Mas isto não significa que não cometerão o suicídio.

Quando uma pessoa diz que quer morrer, que vai se matar ou que já planejou sua morte, fique muito atento e converse com esta pessoa demonstrando seu real interesse em ajudá-la. Você pode ser a última pessoa a quem este indivíduo pode estar pedindo ajuda.

Existem, inclusive, estudos clássicos sobre suicídio que afirmam que as pessoas, nas semanas anteriores ao suicídio, consultam algum tipo de médico. Portanto, todos nós, médicos, familiares, amigos, colegas, devemos levar a sério manifestações verbais e não verbais (expressas na conduta) de desejo de morrer de pessoas que nos cercam.

É importante não ficar indiferente a nenhuma forma de ameaça de suicídio; é importante ajudar esta pessoa a encontrar, rapidamente, a ajuda de um profissional da saúde, de preferência, um psiquiatra.

Como sabemos que tomar esta decisão não é fácil para a pessoa leiga, vamos, a seguir, discorrer um pouco sobre o suicídio para informá-lo como proceder diante desta dificuldade, tentando elidir o tabu que envolve esta forma brutal de acabar com a vida.

Precisamos entender que o suicídio na sua grande maioria das vezes está diretamente ligado a doenças psiquiátricas (depressão, estados maníacos, esquizofrenia) e abuso de álcool e de drogas, condições estas que possuem tratamentos adequados e, muitas vezes, eficazes.

Além disso, existem muitas condições de risco relacionadas à qualidade de vida do indivíduo e melhorar estas condições pode ser uma forma valiosa de prevenir suicídio.

Em 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS), preocupada com os índices elevados de suicídio no mundo inteiro, através do seu segmento “Perturbações Mentais e Comportamentais” – Departamento de Saúde Mental, editou o SUPRE – uma série de guias preparados e dirigidos para grupos sociais e profissionais envolvidos de forma relevante na prevenção do suicídio.

O que vamos conversar a seguir será baseado neste programa realizado pela OMS, resultado da preocupação com as taxas crescentes de suicídio no mundo inteiro, especialmente dentre a população de jovens.

Este programa realizou manuais para áreas de profissionais capazes de exercerem ação preventiva em relação ao suicídio, tais como professores e funcionários de instituições educacionais, profissionais da mídia, médicos clínicos gerais, trabalhadores em cuidados primários de saúde, dentre outros.

Não vamos, portanto, fazer uma revisão científica sobre o assunto, mas dar algumas orientações que poderão ser úteis a todos que, em algum momento de suas vidas, precisarem abordar um suicida de forma firme, calorosa e correta.

 

Conceito de Suicídio

O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído, ao longo dos séculos, a atenção de filósofos, teólogos, sociólogos, artistas e médicos.

Chamamos de suicídio a todos os casos de morte resultantes direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo da própria vítima que ela sabe produzirá a sua morte. Isto quer dizer que qualquer ato voluntário que possa levar a morte é considerado suicida.

Dentro deste raciocínio poderia ser considerado suicídio, não levar um tratamento médico adiante, fumar, usar drogas, fazer dietas rigorosas. Estas formas crônicas de suicídio, entretanto, não são aceitas unanimemente.

Ainda que o suicídio seja um problema sério de saúde pública, sua prevenção e seu controle não se constituem em tarefas fáceis.

As mais recentes e inovadoras investigações indicam que a prevenção do suicídio envolve uma série de atividades, que variam desde a provisão das melhores condições possíveis para criar as crianças e os jovens, até um tratamento eficaz das perturbações mentais e um controle dos fatores de riscos ambientais (OMS, Bertolote, 2000).

 

Conceito de comportamento suicida

O comportamento suicida abrange toda a extensão que vai desde pensamentos suicidas e tentativas de suicídio até ao suicídio completo.

Os pensamentos suicidas incluem idéias que levam na direção do perigo de vida, embora o ato que pode ser letal ainda não se realize.

Tentativas de suicídio são consideradas aquelas situações nas quais a pessoa realiza um ato que ameaça a vida com a intenção de que sua vida corra perigo ou dando a entender que este é o seu desejo, sem, no entanto, seu gesto resultar em morte.

A tentativa de suicídio também pode representar um grito de socorro e pode ser interrompida pela ação de outras pessoas que impedem que o dano pessoal ocorra.

O suicídio completo inclui todas as mortes causadas por vontade própria, auto infligida, através de atos que ameaçam a vida e culminam com a própria morte. A pessoa sabe e espera uma consequência fatal.

Quando a intenção é vaga ou ambígua, significa que a pessoa não deseja morrer e não vê a morte como finalidade, mas a pessoa deseja parar de viver ou de pensar.

O comportamento suicida em crianças e adolescentes ocorre mais em famílias que tem muitos problemas, dentre eles, alcoolismo, comportamento antissocial, história de suicídio na família, famílias violentas e/ou abusivas (abuso físico ou sexual), famílias negligentes no cuidado com os filhos, famílias com dificuldades de comunicação, divórcio, separação ou morte de um cuidador, exigências muito elevadas ou falta de exigências ou expectativas, excessiva ou inadequada autoridade, rejeição ou negligência.

Famílias adotivas e freqüentes mudanças de domicílio também podem representar problemas.

Nesta faixa etária, ocorrências triviais podem ser vividas como ataques a autoestima e representar uma ferida na dignidade do jovem.

Da mesma forma, perda de vínculos, desapontamentos na escola ou baixo rendimento escolar podem representar fatores importantes de risco de tentativas de suicídio ou suicídio.

 

Dados estatísticos

Hoje o suicídio é considerado problema de saúde pública e prioridade para a OMS porque, de acordo com suas previsões, morre uma pessoa por suicídio a cada quarenta segundos e as taxas de suicídio, nos últimos 45 anos, aumentou 60% no mundo inteiro, deixando o suicídio dentre as três causas mais frequentes de morte nos indivíduos entre 15 e 44 anos de idade (ambos os sexos).

O número de suicídios, ainda que elevado, pode ser considerado subestimado.

O grau de subestimação varia de país para país, dependendo essencialmente da forma como os suicídios são notificados.

Muitos suicídios não são notificados devido ao estigma, a fatores sociais e políticos e a regulamentação dos seguros de vida, o que significa que muitos são encobertos por certidões de óbito que atestam mortes por acidentes ou mortes de causa indeterminada.

Em relação às tentativas de suicídio, a precariedade de registros ainda é maior – a maioria das tentativas de suicídio não são reportadas nem registradas.

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  • O que impulsiona uma pessoa na direção do suicídio
  • Fatores de Risco
  • O que se pode fazer para prevenir suicídio
  • Como identificar estudantes aflitos e com possível risco de suicídio
  • Fatores de proteção contra o comportamento suicida
  • Como promover saúde mental e diminuir risco de suicídio

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