O que é Odontologia para bebês?

 


   A Odontologia para Bebês surgiu devido à necessidade de antecipar-se ao dano, ou seja, ao invés de tratar as seqüelas das diversas doenças bucais que acometem os indivíduos, realiza-se a promoção de saúde bucal em um momento oportuno, orientando os pais sobre medidas saudáveis de dieta e higiene, para o seu bebê, bem como oferecendo tratamento adequado à esta faixa etária em caso de doenças bucais já instaladas. O ideal é começar as medidas preventivas desde a gestação, pois isto faz com que os pais do futuro bebê se familiarizem com as medidas educativas-preventivas que irão favorecer o crescimento dos seus filhos com saúde bucal.

O que ocorre na boca do bebê após seu nascimento?

    A criança nasce livre de microorganismos que habitam a cavidade bucal. O feto, no útero, apresenta sua boca estéril e durante o nascimento a cavidade bucal fica exposta à microbiota genital da mãe. Após o nascimento contamina-se, em poucas horas, com a microbiota das pessoas que convivem com o recém-nascido, como a mãe, médicos e enfermeiros. Com o nascimento, a criança continua exposta aos microorganismos normalmente residentes da cavidade bucal de adultos podendo a população microbiana aumentar muito dependendo da freqüência de introdução de microorganismos e das condições presente na cavidade bucal. A permanência deles é transitória.
    Ao iniciar a irrupção dos dentes ocorrem alterações na quantidade e no tipo de microorganismos, passando a existir a colonização de outras espécies dando origem a famosa “placa bacteriana” responsável pela cárie. Pode-se verificar que a aquisição destas bactérias ocorre quando irrompem os dentes na cavidade bucal, fase denominada de “Janela da infectividade da cárie”. Quanto mais cedo ocorrer a irrupção dentária maior a probabilidade de uma aquisição precoce de microorganismos cariogênicos oriundos geralmente da saliva materna e por conseqüência uma maior probabilidade de desenvolvimento da cárie dentária provavelmente pelo fato do dente recém erupcionado ainda estar em processo de maturação.

A saliva materna seja por contato direto ou indireto é o principal veículo de contaminação do microorganismo cariogênico.

    Deste modo é importantíssimo realizar a higiene bucal do bebê durante a época de irrupção dos dentes decíduos e, da mãe gestante, uma vez que muitas delas podem estar colonizadas por microorganismos cariogênicos em níveis bucais considerados favoráveis a para transmissão mãe–filho. (Figuras 1 e 2)

figura1_jpg

Quando deve ser a primeira visita ao dentista?

    Preferencialmente, a primeira visita ao dentista deve ser ainda durante a gravidez, onde a futura mamãe receberá as primeiras orientações acerca da sua dieta, bem como os cuidados necessários para garantir a saúde bucal do seu bebê até o seu nascimento. Após o nascimento, os pais devem levar o bebê ao dentista antes do aparecimento de seu primeiro dente, ou seja, no primeiro mês de vida, acostumando-se a levar seus bebês ao dentista, assim como o levam ao médico pediatra, para que possam ser dadas as orientações sobre higienização, dieta, como proceder quando os dentes começarem a irromper, prevenindo possíveis infecções que possam ocorrer na sua cavidade bucal (dentais, gengivais, estomatológicas), desde a sua tenra idade.

Cronologia e sequência de erupção dos dentes decíduos

• Cronologia: é a data em que o dente irrompe na cavidade bucal. Obedece um padrão genético.* Idade do bebê em meses.
• Seqüência: ordem em que os dentes irão irromper na boca. Existem intervalos considerados normais de erupção 

    Dente        Inferior    Superior
    IC             8 m        10m
    IL             13m        11m
    1o M        16m        16m
    C             20m        19m
    2o M        27m        29m

O que é preciso fazer para que meu filho tenha SAÚDE BUCAL?

    1. DIETA
    Amamentação exclusiva até os seis meses de vida do bebê!
    
    VANTAGENS:
    • Capacidade nutritiva: contém todos os nutrientes essenciais ao crescimento e desenvolvimento da criança até os seis meses (água, proteínas, carboidratos, calorias e sais minerais).
    • Poder de imunização: atua como uma vacina, pois transfere anticorpos e imunoglobulinas da mãe para o bebê, exercendo função antibacteriana e antivirótica e protegendo-o contra infecções – diarréia infantil. Redução de 30% da mortalidade. Crianças alimentadas por mamadeira têm cerca de 25 vezes mais probabilidade de adoecer do que as que mamam no peito. De acordo com a OMS, todo ano ocorrem 1,5 milhões de mortes de bebês no mundo, que poderiam ser evitadas com a amamentação. O leite materno funciona como uma vacina contra quase toda a infecção que a mãe teve no passado, mesmo antes da gravidez, protegendo o bebê. (Figura 3)

figura3_jpg
    • Melhor desenvolvimento mental – intelectual e equilíbrio emocional: relação entre mãe-filho de amor, confiabilidade, segurança, carinho, aconchego, afeto, proximidade física e descanso de ambos.
    • Excelente exercício muscular e respiratório: reflexos futuros na fala (músculos firmes), na respiração (pelo nariz: evita amigdalite, pneumonia, otite), nos dentes (melhor alinhamento) e na mastigação (continuará a tarefa de exercitar ossos e músculos). Com a amamentação, o bebê estabelece um padrão de respiração nasal (exercício respiratório) e aprende a posicionar a língua que trabalha intensamente, adquirindo tonicidade, postura e permitindo o desenvolvimento muscular e esquelético adequados (exercício muscular). O intenso trabalho muscular, avançando e retraindo a mandíbula, faz com que estes músculos estejam bem treinados ou melhor preparados fisicamente para futuramente exercer uma boa função mastigatória dos alimentos duros.
    • Exercício físico: ao nascer, o bebê tem a mandíbula muito retraída que irá se desenvolver e alcançar o equilíbrio com a maxila somente por volta dos seis meses de idade, através do estímulo da sucção do peito. Este processo é muito importante e exerce reflexos futuros na fala, respiração e dentição da criança, além de preparar o bebê para a mastigação.
    • Ecológico: não provoca desperdício, não precisa de embalagem, é renovável e preserva a natureza.
    • Econômico: está disponível e é produzido pela própria mãe.
    • Estéril e com temperatura adequada: é completamente protegido contra contaminação (não sofre manipulação).

Quais os benefícios da amamentação para a mãe?

    • Melhor recuperação após o parto;
    • Realização pessoal – Diminui a possibilidade de depressão pós-parto 
    • O útero volta mais rapidamente ao normal
    • Evita hemorragia: ao amamentar, a mãe produz um hormônio que contrai os tecidos, diminuindo os riscos de hemorragia e tornando mais fácil ao seu corpo readquirir a forma antiga.
    • Menos chance de desenvolver câncer de ovário, mama e útero.
    • Reduz a chance de engravidar enquanto o aleitamento do bebê for exclusivamente o leite materno (anovulação fisiológica – falta de ovulação). Porém, se a mulher voltar a menstruar durante o período de amamentação, esse efeito contraceptivo é reduzido. Durante os dois primeiros meses após o parto e com, no mínimo, seis mamadas/dia, há uma segurança de 98% da mãe não engravidar. Mas, após esse período, mesmo sem amenorréia, a mãe pode engravidar.

Quais os malefícios do uso da mamadeira?

    A mamadeira é um utensílio criado para facilitar a alimentação do bebê que não podia sugar o seio da mãe, porém atualmente tornou-se uma maneira prática e rápida do bebê alimentar-se de leite sem sujeira e, o mais importante, sem o contato físico com a mãe. 
    A mamadeira habitua a criança a uma alimentação mole e adocicada (maior risco de cárie), fazendo com que ela recuse alimentos que requeiram mastigação (Figura 4). O tempo de sucção é maior no peito do que na mamadeira. Em nenhum dos casos o bebê passará fome, mas na mamadeira fica sempre uma falta de satisfação neural, impulso que ele acompanha desde o útero materno que o fará sugar o polegar, lábio inferior ou a própria língua. A mamadeira pode levar a problemas de obesidade e de estômago, pois, neste caso, a quantidade de alimento passa a ser mais importante para a criança, além da possibilidade de provocar os mesmos prejuízos que a chupeta e o dedo, porém com maior severidade, sendo, às vezes, necessários anos de tratamento fonoaudiológicos e ortodônticos.

figura4_jpg1

 

 

Qual é a época ideal para o desmame?

    A partir do 6o – 7o mês novos alimentos devem ser oferecidos com colher e copo, sempre sem açúcar, de acordo com a seguinte ordem: suco cítrico, vegetais, arroz, feijão, (sem fritura e com pouco sal), papinhas (frutas e cereais ricos em ferro – aveia). 
    Oferecer os alimentos gradualmente, com a finalidade de se observar a tolerância de seu organismo, adaptar a criança ao novo paladar e desenvolver o processo de sua ingestão e deglutição. 

    É comum a criança fazer “cara feia” para o alimento, pois ela ainda não está acostumada com ele, porém, isso não significa que ela não gosta.
    É desaconselhável liqüidificar os alimentos até o primeiro ano de vida, devendo-se apenas amassá-los com garfo. A forma física deve ser pastosa e consistente para estimular os músculos da face e da mastigação.  Deve-se eliminar o uso da sacarose da alimentação do bebê, evitando o uso de bolachas, salgadinhos e refrigerantes que são redutores do apetite. (Figura 5)

figura5_jpg
    Alimentos alergênicos como clara de ovo, morango, abacaxi, chocolate, frutos do mar, nozes, carne de porco, tomate, mostarda e alho, devem ser introduzidos após o 1o ano de vida.
    Aos seis meses, a criança já tem coordenação motora para segurar copos ou colheres, porém, se não houver estímulo, ocorrerá um “freio” no seu desenvolvimento racional e emocional, com a sua infantilização.

Como fornecer uma alimentação sadia para o bebê com mais de seis meses?

    Criar um hábito sadio através de uma dieta sem açúcar adicionado (industrializado), lembrando que a criança leva certo tempo para se acostumar a outros alimentos, além do leite.
    Estabelecer horários regulares para a alimentação, cuidando para que o bebê tenha, no máximo, cinco refeições diárias (café, lanche, almoço, lanche e janta), comendo alimentos doces somente nestes horários.
    Em crianças maiores, já acostumadas a adicionar sacarose aos alimentos, é impossível excluir totalmente o açúcar da dieta. Neste caso, deve-se orientar para o uso adequado/racional do açúcar, ou seja, somente incluído nas refeições principais. Outra opção, seria a utilização de produtos substitutos ou similares ao açúcar.

    Entre os adoçantes nutritivos, estão incluídos os açúcares altamente calóricos (sacarose, frutose, lactose e maltose) e os polióis, também chamados de álcoois de açúcar (sorbitol, manitol, xilitol, isomaltitol), com baixo valor calórico e pequeno ou ausente potencial cariogênico.
    Os adoçantes não nutritivos ou não calóricos são indicados para o controle de peso, da concentração de glicose no sangue e para a prevenção da cárie dentária. Estes produtos, são amplamente utilizados pela indústria alimentícia, principalmente devido a sua qualidade, segurança e compatibilidade com outros ingredientes, além da estabilidade em diferentes alimentos.
    A FDA aprova a inclusão dos seguintes adoçantes não nutritivos como aditivos alimentares: sacarina, aspartame, acesulfame-potássio (acesulfame-k) e a sucralose, todos já vendidos no Brasil. 

    HIGIENE:
    De 0 a 6 meses:  envolver o dedo em gaze ou fralda embebida em água fervida ou filtrada, passando sobre a gengiva, língua, palato, bochechas, depois de cada mamada.  (Figuras 1 e 2)
    De 6 meses a 1 ano: higiene: passar fralda/gaze ou escova macia, pequena e com cerdas arredondadas com ou sem creme dental. Higienizar depois de cada mamada ou refeição.
    De 1 a 3 anos (erupção dos molares): realizada pelos pais, uma vez/dia com dentifrício e uma vez sem o uso do dentifrício fluoretado, na quantidade de um “grão de ervilha” e fio dental antes de dormir. Escovar a língua com a escova, sem pasta, através de movimentos de trás para frente (evita a contaminação dos dentes pela placa bacteriana que se forma sobre ela). Deixar a criança escovar e depois completar a sua escovação – a mãe deve supervisionar a escovação até os nove anos. Quando os molares eru-pcionarem é obrigatório o uso da escova e do denti-frício fluoretado, pois são dentes cheios de “reen-trâncias” e “furinhos” que acumulam alimentos. (Figuras 6 e 7)

figura6_jpg
    Posicionamento dos pais e técnicas para a execução da higiene bucal:
    Até 18 meses: bebê no colo, com um de seus braços posicionados para trás das costas da mãe que vai imobilizar a mão livre. Com a outra mão, a higiene bucal é executada.
    Dos 18 aos 24 meses: mãe e pai sentados frente a frente, com joelhos unidos, posicionar o bebê no espaço formado pelas pernas de ambos. Um dos pais imobiliza os braços e pernas e o outro e cabeça e executa a escovação. Técnica: afastar os lábios para en-xergar os dentes do fundo; escovar primeiro os dentes de cima e depois embaixo (do lado da bochecha, da língua e do palato). Movimento de escovação: bolinha, trenzinho e vassourinha, com a criança no colo, na frente do espelho. (Figura 8)

Qual o papel do flúor na prevenção da cárie?

     A cárie é uma doença totalmente controlável e que interferindo-se nos fatores responsáveis pelo seu desen-volvimento, isto é, acúmulo de placa e alto consumo de açúcar, é possível inclusive reverter e/ou paralisar sua progressão. 
    Entretanto, a medida de maior impacto para o controle do desenvolvimento da cárie tem sido o flúor. Embora seu uso isolado não impeça o desenvolvimento da cárie, apenas reduza a sua progressão.
    Tendo em vista que o flúor “não impede que cárie aconteça”, mas a reduz de maneira significativa, a ausência total de cárie seria mais bem explicada quando simultaneamente ao uso do flúor é seguida uma disciplina de consumo de açúcar. 
    Se uma família tem controle absoluto sobre os fatores que levam ao desenvolvimento da cárie a criança não precisa de flúor. Trata-se de uma situação extremamente particular e de difícil extrapolação para a maioria; 
    O flúor não é capaz de interferir nos fatores responsáveis pela doença, isto é, a formação de placa dental e a transformação de açucares em ácido. Isso significa que o flúor isoladamente não impede a doença cárie. Isto mostra a importância dos controles da placa dental e/ou dieta para que um efeito máximo seja obtido.

O flúor aumenta duas a quatro vezes
a capacidade da saliva de 
repor minerais perdidos 
pelos dentes

    A importância da simples ação mecânica da saliva é extremamente importante no que se refere as crianças que fazem uso da amamentação noturna com leite açucarado. A saliva passa pelos dentes em velocidades diferentes, diluindo o açúcar e o ácido produzido, o que explicaria o fato de a cárie se manifestar de maneira localizada, isso explica porque a cárie nestes casos é maior nos dentes anteriores superiores que nos inferiores.

figura8_jpg
    Os fatores responsáveis pôr este desequilíbrio de perda e ganho de minerais são o acúmulo de placa dental, a freqüência no consumo de açúcar e o uso ou não de flúor.
    Atualmente, há um consenso de que o flúor importante é aquele mantido constante na cavidade bucal, o que é capaz de interferir com a dinâmica do processo de cárie, reduzindo a quantidade de minerais perdidos quando do fenômeno de desmineralização e ativando a quantidade reposta quando da remineralização salivar. 

O importante é manter quantidades pequenas e constantes de flúor na cavidade bucal

    Dois meios de usar flúor se destacam: sistêmico e tópico.
    Sistêmico: o flúor que é ingerido.
    A fluoretação da água é um os meios de uso do flúor sistêmico para manter o flúor constante na cavidade bucal.
    Outra forma são os suplementos pré-natal – não há razão para a prescrição de flúor pré-natal, esses produtos deveriam ser retirados do mercado, porque além de não trazerem benefício, são deseducativos. O que a futura mamãe precisa é estar preparada para o controle da doença.
    Suplementos pós-natal – é um método de uso individual do flúor de difícil controle.

“Não há necessidade de ingerir flúor para se ter redução de cárie”

    Tópico: não precisa ser ingerido para ter a ação na cavidade bucal.
    Dos meios de usar flúor tópico, o que melhor se enquadra em termos do controle da cárie como doença é o dentifrício fluoretado (pasta de dente). Assim, ao mesmo tempo que a placa dental é desorganizada periodicamente pelo ato da escovação, o flúor é usado de forma regular, constante.
    Outra forma é a aplicação de flúor profissional – para compensar o não auto-uso, ou a deficiência de medidas preventivas pelo paciente.

Toxicidade do flúor

    Como qualquer medicação existe a sua dose adequada para o seu uso o flúor também deve ser usado com cuidado. 
    Enquanto a fluorose dental é um problema de ingestão de pequenas quantidades de flúor durante a formação dos dentes, a ingestão de quantidades maiores pode ser até letal.
    Outras fontes de exposição a flúor podem contribuir para uma ingestão excessiva e devem ser conhecidas e/ou evitadas. Assim, água mineral, chá preto e alguns alimentos infantis industrializados podem conter alta concentração de flúor em termos do risco de fluorose dental com comprometimento estético. 
    A faixa etária de 20 e 36 meses é considerada crítica em termos de ingestão de flúor
    Considerando-se que o flúor da pasta de dente é fundamental para o controle da cárie dental, porém há risco de aumento da prevalência da fluorose dental, é muito importante que os pais supervisionem a escovação das crianças até que adquiram motricidade para realizar a higiene bucal de forma adequada e usem pequena quantidade de dentifrício (é mais importante escovar os dentes três vezes por dia usando 0,1 g de pasta fluoretada do que utilizar uma quantidade 10 vezes maior (1,0 g), porém só uma vez por dia), não deixem a pasta dental ao alcance das crianças, para não incentivar a ingestão voluntária, que estimulem a criança a cuspir para adquirir este reflexo o mais cedo possível.

Não deixe o seu filho dormir tomando mamadeira.
Após alimentação, faça a higiene da cavidade bucal do bebê.

O que é cárie de mamadeira ou de peito?

    A cárie de mamadeira ou de peito é conhecida hoje como a Cárie Precoce da Infância (ECC) e, tem um efeito devastador na dentição decídua e na saúde geral da criança, podendo levar a perda precoce dos dentes decíduos e prejuízo aos dentes permanentes, ainda em formação (os dentes permanentes dependem dos decíduos). Os incisivos superiores são dentes mais severamente afetados. (Figuras 9 e 10)

figura9_jpg

    São causas importantes para seu aparecimento:
• A mamadeira com açúcar várias vezes ao dia e/ou à noite
• A falta de higiene ou higiene inadequada após as mamadas
• A ingestão de alimentos com açúcar fora de hora (nos intervalos entre as refeições principais)
• Amamentação no peito (principalmente à noite), associada a outros alimentos cariogênicos A amamentação noturna age diretamente nos quatro fatores etiológicos da cárie dentária: hospedeiro (contato com os dentes) microflora (campo ideal para o desenvolvimento); substrato cariogênico; e tempo (longa duração). O lento ritmo de deglutição durante o sono, associado ao fluxo salivar reduzido permitem um permanente contato do leite com os dentes do bebê favorecendo a formação de ácidos pelos microorganismos por um prolongado período de tempo. (Figura 11)

figura11_jpg
  
O líquido mais utilizado nas mamadeiras é o leite: o leite bovino possui menor quantidade de lactose que o leite materno. Quando se adiciona açúcar no leite bovino seu potencial cariogênico aumenta.

O que fazer se meu bebê mama durante a noite?

    Trata-se de um aspecto mais psicológico do que nutricional. Uma criança que se alimenta bem durante o dia, não acorda à noite com fome e sim, por outros motivos, como pesadelos, medo do escuro, medo de abandono dos pais. O que ela quer na verdade é a presença da mãe para acalmá-la, por isso, ao ser acolhida, a criança volta a dormir em pou-cos minutos. Como proceder em relação a esta mudança de hábito que deverá ser gradual (não ser radical nas orientações e cobranças):
• diluir com água
• limpar a boca antes de dormir (escovação com flúor)
• eliminar gradualmente o hábito

Não deixe o bebê dormir tomando mamadeira.Após alimentação, faça a higiene, utilizando uma fralda ou gaze umedecida com água fervida e/filtrada.

Hábitos bucais deletérios mais comuns: Chupeta e dedo

    A chupeta e dedo podem causar deformidade óssea, má-oclusão, deglutição atípica, e dificuldade futura de fala. Além disto, são veículos de transmissão de parasitas e coliformes fecais. 
    Ao sugar o seio da mãe durante a amamentação, a criança aprende a posicionar corretamente a língua, ganhando tônus adequado que viabilizará as corretas funções orais, possibilitando uma boa oclusão, por afastar hábitos como sucção do polegar e chupeta, uma vez que a criança satisfaz no peito sua necessidade de sucção. (equilíbrio físico e mental)
    Durante o primeiro ano de vida, a criança atravessa a fase oral, descrita como sendo o início do desenvolvimento psicológico da criança, onde ela “experimentará” tudo pela sua porta de entrada – a boca – É importante salientar que, nesta fase, geralmente as crianças passam o tempo dormindo, mamando e “chorando” e os pais não devem ficar por demais ansiosos e devem dar a eles o máximo de atenção e carinho possível, pois  isso saciará as necessidades psicológicas do bebê, fazendo com que o mesmo não necessite recorrer à chupeta ou dedo.
    Tanto a sucção da chupeta (Figura 12) quanto a do dedo em grande intensidade, duração e freqüência pode causar diversas mudanças bucais como:
• Mordida Aberta Anterior (Figura 13)

figura12_jpg

• Movimento dos dentes ântero-superiores para a frente;
• Mordida Cruzada posterior, 
• Respiração Bucal; 
• Deglutição Atípica, dentre outras.

Meu filho é respirador bucal, o que significa isto?

    Os respiradores bucais são indivíduos que, por possuírem algum tipo de alteração ou obstrução nas vias respiratórias, ou ainda, por estarem “desacostumadas” a respirarem pelo nariz, acabam tendo uma respiração essencialmente bucal, o que as leva a uma série de alterações no padrão facial, bem como deficiência na capacidade respiratória, mastigatória, às vezes com efeitos negativos até no potencial de concentração e aprendizagem. O uso de chupetas e a sucção do dedo ou da mamadeira, por dificultarem a respiração nasal e provocarem alteração nos músculos da face favorecem a respiração bucal desencadeando, além da maloclusão, uma série de prejuízos ao desenvolvimento normal do bebê.

TRAUMATISMOS DENTÁRIOS

    No primeiros meses de vida a criança amplia os seus movimentos corporais, sendo capaz de rolar e manter-se sentada com apoio. Aos quatro meses busca os objetos com as mãos e aos cinco ou seis meses freqüentemente leva os objetos a boca. Dessa forma, embora normalmente induzidos por outra pessoa, a possibilidade de acidentes amplia-se devido às quedas causadas pela capacidade da criança de rolar, a perda de equilíbrio anterior nas tentativas de sentar-se e lesões bucais em função do hábito de sugar ou morder todos os objetos que ela consegue pegar.

Um estudo observou que o maior número de quedas de móveis ocorreu em crianças nos seus primeiros anos de vida.

    O desconhecimento natural do perigo e a grande curiosidade aumentam a suscetibilidade da criança a acidentes. (Figura 14)

figura14_jpg

Em todos os acidentes na infância, sem dúvida, aqueles que ocorrem em ambiente domiciliar são mais freqüentes. A maioria das lesões traumáticas são causadas por problemas triviais

    A obesidade durante a infância também pode ser considerada um fator de risco ao traumatismo de dentes anteriores. Devemos lembrar também que qualquer condição sistêmica que altere o equilíbrio, tal como alterações neurológicas., distúrbios convulsivos e deficiências físicas, aumentam a probabilidade de traumatismos. Crianças hiperativas são especialmente suscetíveis a traumatismos dentários.
    Crianças que estão sempre com a boca aberta e respiram pela boca também estão mais sujeitas a traumatizarem os dentes ao cair, porque elas no momento da queda não tem a proteção dos lábios. 

    DEVEM TER MAIS CUIDADO:
• Crianças que respiram pela boca
• Crianças que têm os dentes para frente
• Quem não consegue fechar os lábios
• Portadores de deficiência física

    A maioria das lesões traumáticas são causadas por problemas triviais. O que pode acontecer:
• Intrusão – o dente pode “entrar para dentro”
• Avulsão – o dente pode cair
• Fratura – o dente pode quebrar
• Mudança de cor do dente – o dente pode escurecer

    Em qualquer tipo de trauma LEMBRE-SE:
• Acalmar a criança
• Para reduzir o sangramento, comprimir o local com gaze, por cinco minutos.
• Procurar o dentista ou pronto socorro odontológico o mais breve possível.
• Sempre manter adequada higiene bucal, para que ocorra cicatrização da gengiva, no local em que o dente sofreu o traumatismo

    Contra traumatismos são reconhecidas duas formas de proteção:
• Passiva: a criança é protegida independente da sua ação – ex: os móveis em casa com bordos arredondados, uso de protetores para quina de mesa, os playground também devem ter estes cuidados. 
• Ativa: requer uma ação em um momento. Ex. utilização correta da cadeirinha e do cinto de segurança.

Obras consultadas:
ABOPREV. Comunicado número 1. 2.ed. Orientação para gestantes. 1990.
AMAMENTAR é um ato ecológico. Semana Mundial da Amamentação, 1997. SMAM’97.
 __________. Anticoncepcionais. www.ipanema.com/babysite/amament1.htm, 1998.
CARVALHO, D. G. A amamentação sob uma visão funcional e clínica da Odontologia. Rev. Secretários de Saúde, v. 2, n. 10, p. 12-13, 1995.
CARVALHO, D. G. O recém-nascido não necessita de mamadeira ou chupeta. www.elogica.com.br, 1998.
CAUFIELD, P. W.; CUTTER, G.R.; DASANAYAKE, A .P. Initial acquisition of mutans streptococci by infants: evidence for a discrete window of infectivity.J-Dent-Res, Washington,v.72,n.1, p.37-45,jan.1993
CORRÊA, M. S. N. P.; PESSOA, M. R. B.; TAKAOKA, L. A. M. et al. O sorriso na 1° infância: informativo aos pais. www.epub.org.br, 1998.
COSTA, L. R. R. S.; CORRÊA, M. S. N. P.; RIBEIRO, R. et al. Traumatismo na dentição decídua. In: CORRÊA, M. S. N. P. Odontopediatria : na primeira infância. São Paulo : Santos, 1998. 679 p. p. 527-547.
FREITAS, et al, Respiração Bucal e seus Efeitos na Morfologia Orofacial – Relato de Caso, JBP, v.3, n.16,  447-450, nov/dez 2000.
HALLETT, K.B.; ROURKET, P.K. Social and Behavioural Determinants of Early Childrood Caries. Australian Dental Journal, 48(1): 27-33, 2003;
KRAMER, P.F. FELDENS, C. A.  Traumatismo na Dentição Decídua: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento, ed Santos, 2005.
BARATIERI, L.N.; Odontologia Restauradora: Fundamentos e Possibilidades; ed. Quintessence, 2001.
 LEITE materno. www.aleitamento.org.br,  2000.
MARTINS, A. L. C.; FAZZI, L.; CORRÊA, M. S. N. P. et al. Erupção dentária. In: CORRÊA, M. S. N. P. Odontopediatria: na primeira infância. São Paulo : Santos, 1998. 679 p. p. 117-129.
MEDEIROS, U. V. Atenção odontológica para bebês. Rev. Paul. Odontol., São Paulo, v. 15, n. 6, p. 18-27, 1993.
MEDEIROS, U. V.; SOUZA, M. I. C.; PRADO, F. et al. Aleitamento materno: aspectos de interesse bucal. www.odontologia.com.br/ufrj/aleitamento-materno.html, 1998. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA. Amamentação. www.sbmastologia.com.br/dic.htm,  2000.. 
__________ Use of nutritive and nonnutritive sweeteners – Position of ADA. www.eatright.org/position.html 
VAN DER LAAN, T. A importância do aleitamento materno no crescimento e desenvolvimento facial do bebê. ABOPREV, Rio de Janeiro, jan./fev./mar., 1994.
VELASCO, L. F. L. ; ROSITO, D. B. ; MACIEL, D. L. C. et al. Protocolo alimentar do bebê de zero a três anos de idade. Rev. Odontoped., São Paulo, v. 2, n. 3, p. 133-139, jul./set. 1993.
VILLENA, R. S. ; CURY, J. A. Flúor : aplicação sistêmica. In: CORRÊA, M. S. N. P. Odontopediatria : na primeira infância. São Paulo : Liv. Santos, 1998. 679 p. p. 292-314.
VOKURKA, V. L. ; EDUARDO, M. A. P. Odontologia intra-uterina : prevenção vem antes dos dentes. Rev. ABO Nac., São Paulo, v. 5, n. 2, p. 73-77, 1997.
WPOodontologia. Odontologia para bebês. www.wp.odontologia.net, 2000.
 


Publicado em 29/07/2016

Autores: 

Márcia Cançado Figueiredo
Professora Adjunta da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Cinthya Aline Das Dores Guarienti
Aluna do Curso Extensão Universitária: Bebê Clínica da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Francine Melchior
Aluna do Curso Extensão Universitária: Bebê Clínica da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fonte: Livro Odontologia: informações Científicas para o Leigo, publicado pela Editora Conceito.

Voltar à home

Compartilhe Saúde! Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPin on PinterestEmail this to someonePrint this page

About the author: Jornal CS

Leave a Reply

Your email address will not be published.