Como administrar a separação de um casal quando há filhos, crianças ou adolescentes


A maneira como um casal irá equacionar as perdas iminentes, oriundas da separação conjugal, refletirá nas suas relações com os seus filhos, o que reforça que uma separação conjugal é sempre algo crítico que denota uma crise, uma ruptura num ideal não só afetivo, mas de uma família que certamente fora idealizada.

Contudo, a situação de divórcio não implica necessariamente à delinquência, a desadaptação e às drogas.

Um mau casamento pode, portanto, ser tão prejudicial ou mais que um divórcio.

A forma como os filhos vivenciam o período pós-separação depende, em larga medida, da maneira como seus pais negociam o término da vida conjugal e administram seus conflitos.

Diante de uma separação conjugal, se os pais conseguem funcionar juntos no seu papel parental, as consequências para os filhos são mais favoráveis.

Sabe-se que na família a criança entra em contato pela primeira vez com valores, atitudes, padrões morais, modelos de papel e normas, os quais aprenderá, e reforçará na adolescência.

Quando trazemos essa noção para um contexto conturbado de relações familiares, entendemos o quanto isso pode intervir nas construções pessoais da criança/adolescente e até mesmo nas suas relações posteriores.

É importante compreender que a forma de vinculação entre os pais precisará ser reorganizada de modo que, mesmo não existindo mais a vida conjugal, a parentalidade permanece.

Um problema recorrente diante desses fatos é que nem sempre os pais conseguem manter uma área de entendimento entre si e os conflitos interparentais vão dificultar o ajustamento da criança/adolescentes após o divórcio.

Principalmente quando um dos pais não consegue prosseguir sua vida, independentemente da presença dos filhos ou não, tal fato pode gerar algumas situações que são consideradas um dilema a ser superado.

Exemplos: a criança ser o substituto do adulto ausente, elevando a dependência emocional excessiva do filho; ou quando um dos pais percebe que o fator dificultador de ajuste à nova vida é o filho; o sentimento de culpa e ambivalência do cônjuge que deu entrada na separação, quando algo diferente acontece ou não com os filhos; comportamento às vezes regressivo dos pais, dificultando o relacionamento com os filhos, gerando às vezes uma disputa velada entre mãe/filha ou pai/filho.

Com essa explanação, objetivamos demonstrar a importância de um cuidado maior e específico no processo de separação conjugal, que pode remeter o ex-casal a dificuldades na vivência do luto pela perda afetiva significativa.

Se não houver um amparo e cuidados específicos por parte de um profissional especializado, pode gerar complicações judiciais muitas vezes desgastantes e com consequências psicológicas sutis ou agravantes.


Publicado em 14/04/2016

Autora: 
Mônica Sant’Ana Mantini,
Psicóloga clínica e judicial com especialização em Adolescência e Psicologia Jurídica. CRP 11/00846

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