Benefícios da Cirurgia Ortognática


O que é Cirurgia Ortognática?

 

            A Cirurgia Ortognática é a área da Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial que tem como objetivo corrigir alterações na relação entre os dentes superiores e inferiores através do reposicionamento dos ossos da face (maxilar e mandíbula). Da mesma forma que um dentista Ortodontista corrige a posição dos dentes, o Cirurgião Bucomaxilofacial usa a Cirurgia Ortognática para reposicionar a maxila ou a mandíbula. Assim como a palavra “Ortodontia” significa “dentes retos”, “ortognatia” significa “maxilares retos”.

            A Cirurgia Ortognática é planejada em conjunto com a Ortodontia, porque o correto alinhamento e nivelamento dos dentes são condições prévias à realização da cirurgia.

            Os objetivos da Cirurgia Ortognática são a correção de diversas irregularidades faciais e desarmonias dos maxilares. Os seus benefícios incluem uma melhor capacidade mastigatória, melhora na fala e na respiração. Na maioria dos casos, uma melhor harmonia da aparência facial também pode ser alcançada.

 

Quem precisa de Cirurgia Ortognática?

 

            A Cirurgia Ortognática está indicada para pessoas que apresentam mordida inadequada ou naquelas em que os maxilares estão posicionados incorretamente. O crescimento dos maxilares é um processo lento e gradual, e em alguns casos, o maxilar superior pode crescer num ritmo e proporção diferentes do maxilar inferior. Como resultado, podemos ter uma diferença entre o tamanho e a posição da maxila e da mandíbula, que pode afetar a mastigação, a fala, a aparência facial e a saúde bucal como um todo a longo prazo. Traumas faciais na infância e defeitos congênitos também podem afetar o alinhamento dos maxilares.

            Enquanto a Ortodontia pode, somente com o tratamento por aparelhos dentários, corrigir muitos problemas de “mordida” causados por desalinhamento dos dentes, pode ser que em alguns casos uma Cirurgia Ortognática seja necessária para reposicionar os ossos maxilares desalinhados.

            Essas são possíveis condições que possam indicar a necessidade de uma Cirurgia Ortognática:

– Dificuldade de mastigação ou de morder alimentos;

– Dificuldade de deglutição;

– Problemas de fala;

– Dor crônica nas articulações temporo-mandibulares (à frente do ouvido);

– Desgaste excessivo de dentes;

– Mordida aberta (espaço entre os dentes de cima e os dentes de baixo, quando a boca está fechada);

– Aparência facial sem harmonia;

– Trauma na face ou problemas congênitos;

– Queixo pequeno ou para trás;

– Mandíbula comprida ou queixo pronunciado para a frente;

– Dificuldade para fechar os lábios;

– Respiração pela boca e boca seca;

– Apnéia do sono (problemas respiratórios quando está dormindo).

 

            O crescimento desigual dos maxilares, trauma ou defeitos de nascimento podem produzir problemas e sintomas que requerem tratamento por uma equipe, que usualmente incluem um Cirurgião Bucomaxilofacial, um Ortodontista e um Cirurgião-Dentista clínico geral. Para definir se uma pessoa é candidata à Cirurgia Ortognática, ela deverá fazer uma avaliação completa com uma equipe como a descrita.

 

Avaliando a Necessidade de uma Cirurgia Ortognática

 

            No diagnóstico da necessidade ou não de uma Cirurgia Ortognática, o Cirurgião Bucomaxilofacial e o Ortodontista irão trabalhar em conjunto. O Ortodontista será responsável por mover os dentes e alinhá-los de forma que irão ter um encaixe próximo do perfeito quando os maxilares forem reposicionados pela cirurgia. Já o Cirurgião Buco-Facial é o responsável por reposicionar os ossos da face de forma que os dentes e os maxilares estejam corretamente alinhados. Trabalhando em equipe, o Cirurgião-Dentista clínico é responsável pela manutenção da saúde bucal antes, durante e depois do tratamento ortodôntico e cirúrgico.

            Antes de qualquer tratamento iniciar, uma consulta será feita para informar o paciente das questões relativas ao tratamento e responder as possíveis dúvidas.  É importante compreender que o tratamento, incluíndo a Ortodontia antes da cirurgia, a Cirurgia Ortognática e os cuidados após a cirurgia, pode levar de diversos meses até alguns anos. O paciente deve estar preparado para assumir um longo compromisso com seu tratamento para poder desfrutar dos benefícios que a Cirurgia Ortognática pode oferecer, e em alguns casos, o acompanhamento psicológico pode ser uma importante parte do processo de tratamento.

            Após a consulta inicial, uma detalhada análise da face será feita, que inclui desde medições das estruturas faciais até fotografias e radiografias dos dentes e da face, e moldagens dos dentes. A história médica também é avaliada, para assegurar que nenhum problema de saúde possa interferir com o procedimento cirúrgico ou a anestesia. Se na avaliação for julgado que consultas com outros especialistas da área de saúde sejam necessárias, o paciente será encaminhado para que sejam investigadas todas as possibilidades inerentes ao seu tratamento.

            Baseado nos resultados dessa avaliação e dos exames complementares realizados, o paciente, sua família e a equipe irão, em conjunto, decidir o melhor curso do tratamento para o seu caso. Dependendo da extensão do problema, somente o tratamento ortodôntico pode ser suficiente para resolver seu caso. Em casos mais severos, será indicada a Cirurgia Ortognática para alcançar um melhor resultado definitivo. 

            A cirurgia pode variar desde um pequeno movimento de parte do arco dentário até o reposicionamento de ambos os maxilares. Durante o processo de consultas pré-tratamento, o paciente deverá sentir-se livre para fazer qualquer pergunta que venha a lhe ocorrer, até que todas as dúvidas tenham sido esclarecidas, e as informações referentes ao seu caso estejam compreendidas. Só então, o paciente e a equipe dentária irão tomar a decisão de levar o tratamento adiante.

            Em alguns casos podem ser necessários procedimentos adicionais para melhorar a estética facial final, como correção de pálpebras, excesso de pele, gordura abaixo do queixo e afinamento do nariz. Esses detalhes devem ser discutidos com o cirurgião para definir o melhor momento de realizá-los, normalmente em conjunto com um cirurgião plástico.

 

As Etapas do Tratamento com Cirurgia Ortognática

 

            • Ortodontia pré-cirurgia:

            O tratamento ortodôntico prévio a cirurgia irá movimentar os dentes para uma nova posição, de maneira que eles irão se encaixar apropriadamente quando os maxilares forem cirurgicamente reposicionados. Durante essa fase ortodôntica pré-cirúrgica, que geralmente dura de 6-18 meses, o paciente irá usar aparelho dentário fixo e visitará regularmente o Ortodontista para ajustes do aparelho e avaliação dos resultados do tratamento.

            Uma vez que os dentes estejam sendo movidos para uma posição que será corrigida com a cirurgia posteriormente, poderá haver a sensação de que a mordida está piorando ao invés de melhorar durante essa fase do tratamento. Contudo, quando o cirurgião realinhar seus maxilares através da Cirurgia Ortognática, os dentes serão movidos para uma posição mais apropriada. Após a cirurgia, movimentos dentários feitos pelo Ortodontista são geralmente necessários, para refinar os contatos dos dentes, melhorando a mordida.  Após a retirada final do aparelho ortodôntico, é necessário o uso de um aparelho de contenção.

            Se os dentes do siso ainda estiverem presentes, ou se alguns dentes estiverem apinhados (amontoados/acavalados), poderá ser necessária a remoção de dentes antes de iniciar o tratamento ortodôntico, de forma a criar espaço adequado para que os dentes sejam bem posicionados.

 

            • Documentação Pré-cirúrgica:

            Quando o tratamento ortodôntico pré-cirúrgico estiver quase concluído, o Cirurgião Bucomaxilofacial fará um planejamento para o procedimento cirúrgico. Uma documentação pré-operatória imediata final será realizada, como as iniciais que foram feitas antes do tratamento ortodôntico. Nesta documentação, novas radiografias e modelos dos dentes e face servem para planejar e simular a cirurgia, de forma a definir precisamente os movimentos a serem realizados e antecipar os resultados do procedimento cirúrgico. Os modelos de gesso, montados em um articulador (simulador da posição da mordida do paciente) servem para definir detalhes dos movimentos cirúrgicos. Toda a cirurgia é realizada primeiramente no papel, sobre estudos das medidas da face (cefalometria e traçado predictivo) e depois nos modelos de gesso (cirurgia de modelos). Desses modelos será feito um guia de acrílico que será usado na cirurgia para auxiliar no correto posicionamento dos maxilares.  Recursos modernos com o uso de reconstrução tri-dimensional feita através de tomografias computadorizadas estão cada vez mais sendo utilizadas, devido à redução do custo destas tecnologias.

            Quando a equipe definir que os dentes estão numa correta posição pré-cirúrgica, a cirurgia será agendada.

 

            • Preparando a Cirurgia Ortognática:

            A Cirurgia Ortognática pode ser realizada em ambiente hospitalar ou em um centro cirúrgico ambulatorial, sob anestesia geral. Antes da cirurgia o paciente é submetido a uma avaliação física para assegurar que existem boas condições de saúde geral. Em alguns casos, haverá a necessidade de doar sangue previamente à cirurgia, para uma eventual transfusão durante a mesma (nesse caso seria usado o seu próprio sangue – auto-transfusão).  Algumas vezes são prescritos suplementos alimentares e exercícios físicos para alcançar um bom estado de saúde prévio à cirurgia, garantindo um processo de cicatrização rápido e seguro. Alguns exames laboratoriais, como exames de sangue e de urina, radiografias de tórax e avaliação cardiológica também são solicitados antes da cirurgia.

            O médico anestesiologista da equipe irá discutir em maior detalhe os assuntos relacionados à anestesia geral, e responderá às dúvidas que surgirem. Durante o processo de anestesia geral a pessoa estará “dormindo” e não sentirá absolutamente nada (dor, movimentos, frio), e também estará recebendo através do soro, medicamentos que irão prevenir infecções (antibióticos) e desidratação, bem como diminuirão o inchaço e a dor após a cirurgia (anti-inflamatórios).  É muito importante que as indicações de medicamentos, dieta e cuidados prescritos pela equipe cirúrgica sejam corretamente seguidas.

            Uma consulta prévia à cirurgia com um profissional da área de Nutrição também é fundamental, pois o paciente, após passar por uma cirurgia longa, deverá permanecer com limitações na alimentação por um período de duas a quatro semanas, indo de alimentação líquida para líquida-pastosa, até a pastosa-macia, até retornar à alimentação normal. Com uma orientação nutricional correta e adequada, o paciente irá recuperar-se da cirurgia muito melhor, sem perda de peso significativa, e com a energia suficiente para as semanas iniciais de recuperação.

            Em muitos casos, uma avaliação psicológica se faz necessária. Às vezes, a pessoa que tem uma deformidade facial apresenta alterações psicológicas importantes, devido às características estéticas e funcionais da face. Ao submeter-se à cirurgia ortognática, a pessoa irá mudar suas características, e deverá estar preparada para aceitar sua nova face. Muitas vezes, isto se dá de forma fácil e tranquila, uma vez que esta é a principal motivação da pessoa para submeter-se ao tratamento com a cirurgia ortognática. No entanto, em algumas ocasiões, geralmente em deformidades mais severas, um acompanhamento psicológico é importante, para que a pessoa esteja motivada para o tratamento, e que esteja preparada para a mudança em sua identidade visual. Caso não haja a motivação e o preparo psicológico necessário para aceitar e assumir essa mudança, a cirurgia poderá ser contra-indicada.

 

            • O Procedimento Cirúrgico:

            A Cirurgia Ortognática poderá durar de uma hora até diversas horas, dependendo da necessidade de cada caso. 

            Na mandíbula, a parte óssea atrás do último dente é dividida e o osso pode ser avançado, recuado ou movido lateralmente de acordo com o planejamento. Na maxila, podemos reposicionar o osso para frente, para trás, para cima ou para baixo, bem como lateralmente, de acordo com o planejamento do caso. Alguns movimentos requerem que os maxilares sejam separados em duas ou três partes, com acréscimo ou remoção de osso para conseguir o alinhamento e a estabilidade final desejados. Outros ossos faciais que contribuem para a harmonia facial podem também ser reposicionados, aumentados ou reduzidos em tamanho. Em 99 por cento dos casos o acesso para a cirurgia é feito por dentro da boca e não ficam cicatrizes aparentes. Nos casos em que alguma incisão precise ser feita por fora da boca, são tomados cuidados para escondê-la nas dobras da pele e locais pouco visíveis.

 

            • A Recuperação da Cirurgia:

            Imediatamente após a cirurgia, o paciente ficará numa sala de recuperação, com cuidados específicos até que tenham passado os efeitos da anestesia geral. Não são permitidas visitas de familiares nessa sala de recuperação, mas eles poderão acompanhar o paciente logo mais, quando deixar essa sala.

            Há a necessidade de permanecer com o soro instalado em uma veia para receber a medicação e nutrientes apropriados, até que se comece a alimentação de líquidos por conta própria. Os medicamentos para controle da dor e para garantir o conforto também serão administrados por esse soro. O período de internação (permanência no hospital) poderá ser de um ou mais dias (geralmente no máximo três dias são suficientes). Algum inchaço é esperado, principalmente nos lábios e nas bochechas, mas trata-se de um acontecimento normal e desaparece em poucos dias.

            Nos primeiros dias após a cirurgia, o nariz poderá estar “entupido” ou a garganta dolorida por causa da anestesia. Com a correta orientação, o desconforto causado será gradativamente reduzido. Dor e desconforto pós-operatórios são relativamente moderados em Cirurgias Ortognáticas, e controláveis com os medicamentos.

            Dependendo da técnica utilizada os ossos serão fixados na nova posição por parafusos e/ou miniplacas. Essas miniplacas e parafusos são de titânio ou mesmo reabsorvíveis, e raramente necessitam ser removidas. Para ajudar na cicatrização, eventualmente serão utilizados elásticos que ficarão presos entre os dentes superiores e inferiores, limitando os movimentos da boca. Esses elásticos permanecem por um período de uma a três semanas, e são usados por cada vez menos tempo, até que os movimentos bucais sejam estáveis e reproduzíveis.

            Em raros casos, poderá haver necessidade de uma imobilização maxilo-mandibular (amarrar os dentes superiores com os inferiores), evitando por completo os movimentos mandibulares. Se isto for necessário, o período em que o paciente fica de boca fechada será de poucos dias até no máximo três semanas. 

            No período de cicatrização da cirurgia a alimentação será de líquidos, o que pode resultar em alguma perda de peso. Para um melhor controle da dieta, antes da cirurgia, o paciente poderá ser indicado a um nutricionista, para a prescrição de uma dieta líquida, porém rica em proteínas e calorias. Dessa forma, o peso perdido é geralmente readquirido logo após o período de cicatrização, quando a dieta for liberada. Durante a primeira semana após a cirurgia a ingestão alimentar é muito importante, e deverá ser complementada com vitaminas e sais minerais. 

            Os fumantes devem reconsiderar esse hábito, uma vez que o fumo retarda bastante o processo de cicatrização.

            Exercícios físicos devem ser evitados nas quatro primeiras semanas após a cirurgia.

 

            • Durante o Período de Recuperação:

            O retorno ao trabalho e às atividades rotineiras geralmente acontecem de três a quatro semanas após a cirurgia, podendo demorar um pouco mais para alguns pacientes. A aparência facial pode mudar após o reposicionamento dos maxilares e o paciente deverá estar preparado para sinais de surpresa dos familiares e amigos. Mas logo o próprio paciente e as pessoas próximas já estarão acostumados com o novo visual adquirido após a cirurgia.

            A fase inicial de cicatrização leva em torno de seis semanas, mas o processo de cicatrização completa leva de nove a 12 meses. Durante todo o processo de cicatrização é fundamental a realização de uma higiene bucal rigorosa, para a qual o paciente receberá um treinamento específico, e eventualmente usará alguns produtos que facilitam os cuidados necessários.

            Revisões periódicas com o Cirurgião e com o Ortodontista são necessárias, e é muito importante a completa colaboração do paciente nessa etapa. O Cirurgião irá acompanhar a recuperação inicial, e determinar o momento de remover alguma fixação ou elásticos da boca. Em duas a três semanas após a cirurgia, o paciente já deverá ser visto pelo ortodontista, para uma avaliação inicial do resultado da cirurgia e para ajustes do aparelho. Na terceira a quarta semana após a cirurgia, o paciente já estará de volta às visitas de tratamento com o Ortodontista.

            O Ortodontista geralmente começa o refinamento do tratamento ortodôntico de quatro a oito semanas após a cirurgia, para finalizar os ajustes de sua mordida. Na maioria dos casos, o aparelho ortodôntico é retirado de seis a 12 meses após a cirurgia.

 

            • Acompanhamento após o tratamento

            Após sua Cirurgia Ortognática e tratamento ortodôntico estarem completos, o Cirurgião e o Ortodontista fazem um monitoramento periódico dos pacientes, para ter certeza de que o alinhamento dos dentes e dos ossos operados estão se mantendo estáveis. Uma excelente higiene bucal deve ser mantida, com visitas regulares ao cirurgião-dentista, para o acompanhamento clínico da saúde gengival e dos dentes.

            • Riscos e Possíveis Complicações

            Como em qualquer procedimento cirúrgico, alguns efeitos colaterais e complicações podem ocorrer. Os pacientes devem estar conscientes deles antes de consentir e autorizar a realização da cirurgia. O Cirurgião está apto para responder suas dúvidas à respeito dos possíveis riscos, como:

            1. Edema (Inchaço) – é uma reação normal a qualquer procedimento cirúrgico, e a quantidade do edema varia de pessoa para pessoa, e de acordo com o tipo de cirurgia. O edema aumenta nos três primeiros dias após a cirurgia, e se mantém inalterado por aproximadamente uma semana, desaparecendo geralmente na 3ª ou 4ª semana.

 

            2. Náusea e vômito – são possíveis efeitos dos medicamentos usados para a anestesia geral e pela possível passagem de sangue para o estômago vazio (antes da cirurgia o paciente deverá estar em jejum completo de seis a oito horas), mas são cada vez menos frequentes. Como a alimentação será somente de líquidos, se ocorrer vômito este será somente líquido, e sairá por entre os dentes. Existem ainda medicamentos específicos para controlar a náusea que são utilizados durante a internação e após a alta.

 

            3. Dor – é geralmente moderada e controlada com medicamentos. Mesmo sendo um procedimento grande, a dor não é proporcionalmente significativa. Após os dois ou três primeiros dias, apenas um analgésico normal é suficiente para o controle de dor.

 

            4. Sangramento – pode ocorrer um pequeno sangramento após a cirurgia, até mesmo pelo nariz. É facilmente controlado no período de hospitalização, não sendo esperado durante a recuperação em casa. Em caso de dúvida, os telefones do Cirurgião deverão estar acessíveis.

 

            5. Diminuição ou perda da sensibilidade – a sensação de anestesia prolongada na face, nos maxilares, lábios, dentes ou língua pode ocorrer, pois as fibras nervosas próximas às áreas operadas estão se regenerando. Conforme ocorre a cicatrização a sensibilidade vai retornando, podendo levar um período de até seis meses para voltar ao normal. Em raros casos, podemos ter a sensibilidade alterada de forma permanente, principalmente nas cirurgias da mandíbula. Recursos modernos como o uso do LASER de baixa intensidade apresentam resultados cada vez melhores na recuperação das alterações de sensibilidade nervosa.

 

            6. Infecção – existe um risco potencial após qualquer tipo de cirurgia, e se ocorrer, será devidamente tratada com antibióticos. No entanto, devido ao alto nível de controle de infecção hospitalar e ao uso de antibioticoterapia profilática, esta ocorrência é cada vez menos frequente. O paciente deverá verificar se o local (hospital) onde a cirurgia será realizada tem uma equipe de controle de infecção hospitalar, e condições apropriadas para a realização da cirurgia e do controle pós-operatório. No raro caso de uma infecção, poderá ocorrer febre, inchaço persistente, dor ou pus, no período de cicatrização. Nessas situações, a equipe cirúrgica deverá ser imediatamente contactada.

 

            7. Complicações sinusais – sinusites podem ocorrer após cirurgias da maxila, já que a técnica utilizada invade diretamente os seios maxilares. Após um período inicial de cicatrização que pode variar de 10 a 20 dias, deverá existir uma melhora significativa da condição respiratória. 

 

            8. Ferimentos – a dentes vizinhos e raízes de dentes podem ocorrer durante Cirurgia Ortognática, que podem exigir tratamento dentário posterior. No entanto, são extremamente raros, uma vez que cuidados com os dentes adjacentes estão entre os principais focos de atenção da equipe cirúrgica durante a cirurgia.

 

            9. Recidiva – o retorno do maxilar ou mandíbula para a posição anterior a cirurgia, ou a mudança da posição dos maxilares, diferente do planejado, é incomum, mas pode ocorrer. Entre os possíveis fatores causadores da recidiva, alguns podem ser controlados, como a fixação óssea obtida na cirurgia, o preparo ortodôntico eficiente, a estabilidade oclusal (engrenamento dos dentes) adequado. No entanto, existem fatores que não podem ser precisamente controlados, e que são relacionados à anatomia da região operada, e aos movimentos causados sobre as articulações têmporo-mandibulares. O cirurgião e o ortodontista deverão estar atentos a estes fatores, e trabalhar em conjunto para eliminá-los ou controlá-los adequadamente. Em alguns casos, a recidiva é pequena, e controlada com o uso de elásticos dentários e com a Ortodontia. Em algumas situações, poderá haver necessidade de tratamentos adicionais, ou mesmo de reintervenção cirúrgica para a completa solução do caso.

 

            10. Limitação dos movimentos da boca – pode haver dificuldade de abertura e fechamento da boca, dificuldade de fala e mastigação. Serão orientados exercícios específicos para a melhora desses quadros. O trabalho em conjunto com especialistas nas áreas de Fisioterapia e Fonoaudiologia é fundamental, devendo ser adequadamente conduzido pela equipe multidisciplinar. O tempo e a necessidade maior ou menor de fisioterapia e/ou fonoaudiologia varia de pessoa para pessoa, dependendo da deformidade e do tipo de cirurgia realizada.

 

            11. Dor na Articulação Temporo-mandibular – ou uma alteração em sua função, são bastante raros em Cirurgia Ortognática. Caso algum tipo de disfunção, ruídos (clicks ou rangidos) ou dor nas articulações (a frente do ouvido) já existir antes da cirurgia, isto deverá ser relatado ao cirurgião, para uma melhor investigação das causas desse problema.  Geralmente, espera-se uma melhora do quadro de dor e ruídos em torno de um mês após a cirurgia. Em raros casos, poderá ocorrer um agravamento da condição pré-existente à cirurgia. Se essas condições persistirem, outros tratamentos podem ser necessários, clínicos ou mesmo cirúrgicos.

 

            • Aproveitando os Benefícios da Cirurgia Ortognática

            A Cirurgia Ortognática movimenta os dentes e maxilares para uma nova posição que é mais harmônica, funcional e saudável. Não somente o paciente deverá estar mais apto a mastigar e morder melhor que antes da cirurgia, mas poderá melhorar também a sua aparência facial, sua fala e sua respiração. Os efeitos da Cirurgia Ortognática podem produzir efeitos importantes e positivos em muitos aspectos da vida de cada paciente.

            A Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, uma especialidade odontológica, é a que tem os profissionais mais bem preparados para o planejamento e execução deste tipo de cirurgia. 

            Se houver necessidade, entre em contato com o Conselho Regional de Odontologia (www.crors.org.br) ou com o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (www.bucomaxilo.org.br), órgãos oficiais da Odontologia e da Cirurgia Bucomaxilofacial para maiores esclarecimentos.

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Publicado em 29/07/2016

Autores: 

Waldemar Daudt Polido – Doutor e Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Residência em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial na Universidade do Texas, Southwestern Medical Center at Dallas; Coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Mãe de Deus e do Mãe de Deus Center; Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Membro da American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons e da International Association of Oral and Maxillofacial Surgeon; CRO/RS 6784.

Angelo Menuci Neto – Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo Facial; Membro Aspirante do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Cirurgião do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Mãe de Deus e do Mãe de Deus Center; CRO/RS 9958.

Cristiane Baggio Polido – Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Mestre em Lasers em Odontologia pelo IPEN/FOUSP; Cirurgiã do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Mãe de Deus e do Mãe de Deus Center; CRO/RS 12125.

Eduardo Marini – Mestre em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Membro Titular e Tesoureiro do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; Cirurgião do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial do Hospital Mãe de Deus e do Mãe de Deus Center, e Clínica Particular em Bento Gonçalves, RS; CRO/RS 6645

 

Fonte: Livro Odontologia: informações Científicas para o Leigo, publicado pela Editora Conceito.

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About the author: Jornal CS

Has one comment to “Benefícios da Cirurgia Ortognática”

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  1. Kevin Olavo Vieira - 16/03/2017 at 15:24 Reply

    Excelente apresentação de pré, pós tratamento e Cirurgia Ortognática. Esclareceu todas as minhas dúvidas e mais. Arquivado! Obrigado! Parabéns.

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