CONHECENDO E DESMISTIFICANDO OS HORMÔNIOS BIOIDÊNTICOS

Algumas definições e conceitos para esclarecer aspectos fundamentais:
  • Hormônio Natural:
    O termo natural diz respeito a uma substância retirada da natureza que não passa por nenhum processo de transformação industrial e pode ser de origem vegetal, animal ou mineral.
  • Hormônio Sintético:
    O termo sintético refere-se a uma substância que passou por um processo industrial de síntese, transformação ou modificação em sua estrutura química.
    Obs.: Desse modo, os termos natural e sintético referem-se à origem ou à fonte de uma substância e não estão relacionados a sua estrutura química.
  • Hormônio Bioidêntico: O termo bioidêntico refere-se a uma substância cuja  estrutura molecular é exatamente idêntica à dos equivalentes produzidos pelo nosso próprio organismo, independentemente da fonte da qual se origina (assim pode ser natural ou sintética).
Alguns exemplos:
  • Estrógenos conjugados (PremarinR) – Substância extraída da  urina de éguas prenhes com ação hormonal. É uma substância natural, mas não, bioidêntica, porque refere-se aos hormônios produzidos pelas éguas e não pelos seres humanos.
  • Acetato de medroxiprogesterona (ProveraR) – Substância obtida por síntese química na indústria. É, portanto, sintética, mas não é bioidêntica.
  • Isoflavona de soja –  Fitohormônio extraído da soja, de origem natural e com alguma atividade hormonal. No entanto, não é bioidêntico aos hormônios humanos.
  • Estradiol, estrona, estriol, DHEA, pregnenolona, progesterona, testosterona, tiroxina, triiodotireonina – São hormônios bioidênticos aos produzidos pelo organismo humano, independentemente da fonte da qual se originam (natural ou sintética).
  • Terapia de Modulação Hormonal Bioidêntica (TMHB) –  Refere-se ao uso apenas de hormônios bioidênticos, no  lugar de substâncias estranhas ao organismo humano.
Considerando que:
A atividade de um hormônio é determinada em parte pela sua estrutura química, que possibilita a ligação deste no que chamamos de sítio de ação  específico dentro do organismo, como se fosse num sistema de chave-fechadura pode-se concluir que, ao serem utilizadas substâncias quimicamente diferentes, esta ligação fica prejudicada podendo nem ocorrer e estas substâncias podem não exercer o efeito esperado.
Por outro lado, ao utilizarmos hormônios quimicamente iguais aqueles que por variados motivos o organismo humano deixou de produzir ou reduziu a produção, a chance desta ligação ocorrer aumenta consideravelmente e consequentemente aumenta também o efeito hormonal. Assim é possível devolver ao organismo a função do hormônio efetivamente carente.
Ainda seguindo nessa linha de raciocínio, podemos deduzir também, que da mesma forma que uma substância dentro do organismo tem um efeito, também deverá ser transformada e/ou eliminada, e nosso organismo é “programado” para fazer isto com as substâncias que reconhece. A transformação de uma substância não reconhecida como um medicamento ou um hormônio não-bioidentico pode gerar substâncias nocivas e prejudiciais que conferem o que conhecemos por efeitos adversos indesejáveis.
Concluindo:
Podemos assegurar que, a utilização de hormônios totalmente bioidênticos, quando devidamente determinada pelo médico, a necessidade da reposição ou modulação hormonal (termo preferido atualmente), proporciona ao paciente maior eficácia e segurança, com menor incidência de efeitos indesejáveis.
Ressaltamos aqui a absoluta necessidade de acompanhamento médico tanto no caso do climatério quanto no declínio androgênico, o médico é capaz de diagnosticar o quadro através da avaliação do histórico do paciente e de dados familiares, da avaliação de resultados de exames de laboratório e da sua própria experiência e avaliação clínica e decidir pela melhor forma de tratamento avaliando os benefícios e riscos relativos envolvidos em todo e qualquer tipo de intervenção de tratamento.

A EVOLUÇÃO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL (TRH)

  • 1943 – Allen W.  extraiu uma substância estrogênica, denominada estrógenos conjugados da urina de éguas prenhes, esta substância teve a patente vendida para Ayerst que produziu e lançou o PremarinR
  • 1966 – Wilson R .  publica o livro:  Feminine Forever, onde declarava que as mulheres após a menopausa deixariam de ser efetivamente mulheres a  não ser que fizessem uso de reposição hormonal com PremarinR  (isso tudo foi um tremendo engano, só muito mais tarde descoberto)
  • 1975 – 6 milhões de mulheres tratadas com PremarinR
  • 1989 – Uma corrente de médicos nos EUA e Europa começava a questionar a TRH comum na época e buscar opções melhores.  Dr. Hargrove JT  publicou um estudo comparando a terapia com hormônios bioidênticos e não bioidênticos.
  • 1990 – Dr.Wright JV .  pesquisa reposição hormonal com a associação de estrógenos de forma a imitar a produção do organismo feminino correspondentes a uma mulher com 30 anos de idade, considerado o auge da produção hormonal feminina.
    – Dr.Lee J pesquisa e publica vários livros sobre Progesterona bioidêntica e seus benefícios
  • 2002 – WHI – estudo de grande porte publicado pelo JAMA, envolvendo mais de 16.000 mulheres em vários centros médicos nos EUA, em terapia com a TRH convencional que utiliza estrógenos eqüinos e medroxiprogesterona, este estudo foi interrompido devido ao elevado aumento dos riscos inclusive câncer de mamas.
Deste momento em diante a TRH convencional passou a ser discutida nos meios médicos e na maioria dos casos não mais recomendada.
Chegou a vez dos hormônios bioidênticos que, embora já utilizados nos EUA e na Europa há uma década, após 2002 passaram a ter muito mais visibilidade, sua utilização aumentou e passaram a ser conhecidos em quase todo o mundo, inclusive no Brasil. Surgiram também, como esperado, as controvérsias e discussões.
Com isso, atingimos nosso objetivo de fazer um apanhado geral e esclarecer os pontos chaves, temos certeza que os leitores tanto os profissionais de saúde quanto a população em geral interessados no tema: HORMÔNIOS BIOIDÊNTICOS,  encontrarão informações valiosas e fundamentais para melhorar a qualidade de vida das pessoas em geral.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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